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Arquivo do mês: dezembro 2011

Vou-me embora! (pra onde mesmo?).

Outro dia escutando um poema em que o Jessie Quirino deseja voltar ao passado porque lá neste lugar do tempo, o mundo era melhor, comecei a analisar a vida que tenho hoje e o que tínhamos no passado assim. “Vou-me embora p’ro passado!” sonhando ir ao encontro das coisas simples daquele tempo.

Olho pela janela e vejo os anos 50 desfilando lá fora, anos em que vivia a primeira década da minha vida, minha infância. Lá as ruas eram tranquilas, podíamos brincar e correr pelo meio da rua sem nos preocuparmos com o trânsito, pois raramente passaria um automóvel por ali. Então o jogo de bola corria solto, o esconde-esconde, os brinquedos de roda podiam ocorrer sem pressa.

Esta era a verdade, o mundo não tinha pressa. As coisas eram mais tranquilas. As máquinas de calcular estavam nos grandes negócios e eram imensas, ocupava boa parte do balcão seja da loja, do bar ou da livraria que o afortunado dono pudera comprar. Na escola, não estava com certeza, o máximo era um lápis aonde vinha tabuada impressa e rapidamente saía de nossas vistas em um dia de sabatina. Está aí algo engraçado, é que fazíamos sabatina em qualquer dia da semana, mas a palavra tem origem na revisão que se fazia no sábado da matéria dada durante a semana.

A segunda guerra mundial acabara há pouco tempo e começava a se reestabelecer o crescimento, apareciam coisas e modas que fizeram desta década a época de ouro, nome pelo qual é reconhecida até hoje. Os famosos anos dourados quando apareceu o rock, beldades de cinema famosas até hoje e copiadas ainda pelas novas gerações. Há poucos dias venderam aquele vestido da Marilyn (aquele que levantou com o vento) por alguns milhões de dólares.

Lindos tempos! Nas cidades interioranas lá pelas dezoito horas, quando o sino das igrejas dava as seis badaladas da hora do “ângelus” ouviam-se nomes gritados pelas mães que chamavam seus filhos para casa, pois era hora da janta e o pai estava por chegar. Eles estavam pelas redondezas jogando bola, soltando pandorga, brincando com seus companheiros de bairro, sendo crianças, crescendo e construindo-se para o futuro. Hoje desaprendem o ser criança sendo uma imitação dos adultos, presos a uma imagem do televisor ou de uma tela de computador. Seu corpo esqueceu as lições da motricidade.

Alguma vez escuto no eco da memória palavras dos adultos, que se matavam trabalhando, e diziam que tinham que deixar um mundo melhor para os filhos e netos. Hoje reavaliando o que passou parece-me que se criaram facilidades em relação ao mundo de ontem, é um mundo melhor com mais ferramentas, com mais tecnologia. Não se necessita mais ir para o tanque lavar trouxas de roupa como se fazia, a máquina de lavar e até a de secar dão conta de tudo, a geladeira de antes onde se colocava o gelo que o geleiro trazia não está mais, temos os refrigeradores modernos, os freezer, enfim tanta coisa para deixar a vida mais prazenteira. As comunicações encurtaram distâncias, o conhecimento do mundo inteiro esta ao alcance de um clique, percorrem-se caminhos antes impensados, mas, em tudo isto parece ter havido um lapso. Preocuparam–se em deixar um mundo melhor para os filhos, mas não em deixar um filho melhor para viver neste mundo.

E deu no que deu. Hoje temos uma série de pessoas desajustadas que não sabem o que fazer com o mundo que têm e muitas vezes a solução mais fácil é destruir o que hipoteticamente os agride, do que preservar o que tem. Destroem-se através das drogas, das bebidas, destroem o patrimônio que os pais construíram por crerem que são mais valorizados do que eles pessoas, pois estes pais passaram muito mais tempo em seus trabalhos, longe deles, filhos, para dar-lhes este mundo melhor. E aí entramos na roda outra vez.

Volto à vidraça!

Agora as coisas lá fora já têm um ritmo voraz. O mundo tem pressa e devora o que se interpõe em seu caminho. Onde está minha boneca de massa? Onde está a pandorga que voava? Onde estão as bolinhas de gude que o menino atirou? Onde está a menina que brincava com bonecas? Onde estão os meninos que jogavam bola?

IsiCaruso

17/07/2011.

 

 

 
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Publicado por em 04/12/2011 em Sem categoria

 

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Cada vez mais percebo como nós, seres humanos, nos encaixamos no perfil do personagem mitológico Narciso. Ao princípio encontrava sua figura apenas naqueles que são extremadamente narcisistas e não passam um minuto sem pensar-se como modelo correto de pessoa para o mundo. Entretanto comecei a perceber fagulhas deste narcisismo nas palavras que dizemos no nosso dia a dia, no comportamento que temos em relação aos outros, quando emitimos um parecer sobre algo ou falamos de nossas verdades.

Vamos dar um exemplo disto: quando vejo na rua uma pessoa com tal o qual roupa que eu jamais usaria, logo surge em minha mente a observação: – Que ridícula! – análise que fiz a partir daquilo que me parece que estaria correto e que me deixaria bem aos olhos dos outros (narcisistas também). No mito Narciso repudia tudo que não é imagem de si mesmo. Então neste momento estou sendo narcisista, meu parâmetro fui eu mesma, o que forma modelo de comportamento correto.

E quem pode afirmar que esta imagem e/ou este comportamento é padrão para o mundo?

Realidade cruel de nossas convivências, pois as conversas que se desenvolvem em reuniões na maioria das vezes vertem este comportamento de analisar e criticar o que vemos, marcando um padrão socialmente correto para este grupo. Disto resulta o famoso “bullying” com o qual modernamente nomeia-se discriminação, preconceito e prepotência social.

Pensando no ser humano que somos, vou buscar o sentido de humano na nossa história, encontro que o primeiro indício que nos diferenciou dos primatas foi o da bipedestação e ao que parece o segundo é o nosso ego, maior que nosso campo de visão, pois nos remete sempre a nós mesmos.

IsiCaruso

 
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Publicado por em 03/12/2011 em Sem categoria

 

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