Interessante a arte de escrever. Há tempos em que as palavras estão, mas não fluem, não fazem sentido para serem ditas. A vida é. A beleza existe. As coisas acontecem, mas estão lá estagnadas no poço das ideias ou quiçá na caverna, num eterno refletir da vida cotidiana. Ando por um destes labirintos de ideias, de vida real e de palavras que não se concretizam no papel ou no e-papel.
Vi revoadas de andorinhas no final deste verão e aprendi com elas que é necessário
treinar o voo para fazer travessias. Não havia compreendido o alarido que fazem
no final da estação, mas ali estão os pássaros de antes e os que os que os
seguirão na viagem de retorno ou de ida para a estação quente do outro lado do
planeta. Entre muitos chilreios os mais novos aprendem das primeiras noções de
voo longos, de travessia. Lembrei-me dos meninos pequenos, que aprendem da vida
com as pessoas mais velhas e também daí me chega iguais chilreios que fazem os
humanos quando ensinam e aprendem desta grande travessia que é a vida.
Analisando esta falta de palavras que me ocorria, as palavras que sobram no chilreio de
pássaros e homens e fico admirando as coisas que vão ocorrendo ao meu redor. A
vida agitada nas grandes cidades, a calma infinita dos pequenos povoados, as
pessoas e a vida em geral. A natureza sábia que responde aos estímulos que
recebe; os rios que seguem seu curso. Entretanto vi rios que se mantêm secos enquanto
não há chuva, outros que se tornam pequenos córregos em algumas épocas de
estiagem, mas retornam a seus caudais depois da estação das chuvas; os animais
que seguem sua natureza, o homem sua índole de dominador desta natureza da qual
afinal é parte e da qual se sente dono e senhor. Tudo segue uma harmonia. Até
que em dado momento viro a página do jornal e leio sobre grandes catástrofes
acontecendo no mundo.
Japão com o Tsunami que nos deixou aturdido, a consequente possibilidade de
contaminação radioativa, os milhares de pessoas que morreram ali. No Brasil as
diversas inundações que aconteceram quase que simultaneamente à catástrofe
nipônica.
Grande preocupação com a vida do planeta e no planeta.
Nasce a questão primeira de toda a filosofia: porque existo? Quem sou? Para que
êxito?
A dúvida maior ainda não foi respondida e, no entanto nossa arrogante superioridade
já nos deu asas para criar ferramentas para armazenar e usar a energia atômica,
já a vimos explodir ali mesmo no Japão quando foi lançada com o propósito (?)
de terminar com uma guerra mundial e ainda não respondemos à questão primeira:
- E nós, quem afinal somos e o que estamos fazendo aqui neste planeta e com ele?
O chilreio sempre foi muito, mas parece que as aprendizagens não nos permite fazer bem esta travessia para a qual pensamos que nos preparamos tanto. Se tivermos um contrato de aluguel com o planeta, certamente haverá muito que consertar para deixar tudo em harmonia para o grande concerto da natureza.
isiCaruso
março de 2011
Lourdes Aloisio
04/09/2011 at 18:33
Estamos muito atarefados que não percebemos a beleza da natureza. è preciso ás vezes ler um texto como chilrelos para refletirmos! Belo!