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Arquivo do mês: junho 2011

Chilreios

Interessante a arte de escrever.  Há tempos em que as palavras estão, mas não fluem, não fazem sentido para serem ditas. A vida é. A beleza existe. As coisas acontecem, mas estão lá estagnadas no poço das ideias ou quiçá na caverna, num eterno refletir da vida cotidiana. Ando por um destes labirintos de ideias, de vida real e de palavras que não se concretizam no papel ou no e-papel.

Vi revoadas de andorinhas no final deste verão e aprendi com elas que é necessário treinar o voo para fazer travessias. Não havia compreendido o alarido que fazem no final da estação, mas ali estão os pássaros de antes e os que os que os seguirão na viagem de retorno ou de ida para a estação quente do outro lado do planeta. Entre muitos chilreios os mais novos aprendem das primeiras noções de voos longos, de travessia. Lembrei-me dos meninos pequenos, que aprendem da vida com as pessoas mais velhas e também daí me chegam iguais chilreios que fazemos os humanos quando ensinam e aprendem desta grande travessia que é a vida.

Analisando esta falta de palavras que me ocorria, as palavras que sobram no chilreio de pássaros e homens e fico admirando as coisas que vão ocorrendo ao meu redor. A vida agitada nas grandes cidades, a calma infinita dos pequenos povoados, as pessoas e a vida em geral. A natureza sábia que responde aos estímulos que recebe: os rios seguem seu curso, entretanto vi rios que se mantêm secos enquanto não há chuva, outros que se tornam pequenos córregos em algumas épocas de estiagem, mas retornam a seus caudais depois da estação das chuvas; os animais que seguem sua natureza, o homem que segue sua índole de dominador desta natureza da qual afinal é parte e da qual se sente dono e senhor. Tudo segue uma harmonia. Até que em dado momento viro a página do jornal e grandes catástrofes acontecendo no mundo.

Japão com o Tsunami, que nos deixou aturdidos, a consequente possibilidade de contaminação radioativa, as milhares de pessoas que morreram ali. No Brasil as diversas inundações que aconteceram quase que simultaneamente à catástrofe nipônica.

Grande preocupação com a vida do planeta e no planeta.

Nasce a questão primeira de toda a filosofia: porque existo? Quem sou? Para que êxito?

A dúvida maior ainda não foi respondida e, no entanto nossa arrogante superioridade já nos deu asas para criar ferramentas para armazenar e usar a energia atômica. Já a vimos explodir ali mesmo no Japão quando foi lançada com o propósito de terminar com uma guerra mundial e ainda não respondemos à questão primeira:

- E nós, quem afinal somos e o que estamos fazendo aqui neste planeta e com ele?

O chilreio sempre foi muito, mas parece que as aprendizagens não nos permite fazer bem esta travessia para a qual pensamos que nos preparamos tanto. Se tivermos um contrato de aluguel com o planeta, certamente haverá muito que consertar para deixar tudo em harmonia para o grande concerto da natureza.

isiCaruso
março de 2011

 
1 Comment

Publicado por em 14/06/2011 em Sem categoria

 

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