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15/10/2009

Teia da vida

Arquivado em: Crônicas, Pensando sobre... — isicaruso @ 12:30

Hoje foi um daqueles dias em que a gente desperta pensando na vida, nos porquês, nos “pra quês”, e a mente vai indo e voltando a cada momento que a gente já viveu.

Muitas pessoas nascem e são criadas com aquela noção de que a vida é para pagar os pecados, resgatar as coisas do passado, e se atam a estas convicções sem dar espaço ao novo, às coisas que chegam a cada segundo em suas vidas, representando um rol esperado para a sociedade onde vivem e vivem para mostrar como vivem.

Para mim, que fui criada desta maneira, as coisas da vida eram pesadas, tinham uma aparência de coisa sempre inacabadas, débitos pendentes, contas há pagar todo dia, pouco a pouco, sem importar o que acrescentasse a tudo isto.

As coisas que fazia por gosto ou prazer eram taxadas de novos pecados, novas culpas e aí a interrogação crescia… e afinal… porque, pra quê existir como ser humano que pensa e reflete sobre seus passos se o sentido é apenas caminhar sobre eles dia após dia?

Desta reflexão toda começo a fazer uma figura da vida, para dar forma a este viver por algo e comparo a vida à nossa própria história. Como?

Voltei à infância e me vi pequena vestindo pela primeira vez o uniforme da escola e ansiosa indo para ela aprender e conhecer meus amiguinhos! Que beleza! Aí começa o bom da minha história, aprender coisas novas, conhecer pessoas novas, construir coisas novas, crescer… promover-me ano a ano para chegar a uma formação, uma profissão. Transformação! Crescimento!

Não se pagam culpas, não a que ficar dia a dia caminhando sobre os erros, há que aprender com eles, crescer!

 Aí neste pedaço de pensamento volto para a vida e a penso como esta caminhada, comparo-a com esta escola e volto a ter a certeza do que já havia construído antes como pensamento sobre a vida: ela, a vida, é para ser vivida e para construir-se como pessoa cada vez melhor, que aprende dos erros cometidos, que os soluciona e segue adiante, sem a necessidade de ficar voltando e refazendo tudo que já fez pelo simples fato de que outras pessoas poderão dizer ou pensar sobre o nosso atuar. Somos autores de nossos passos, cada um é dono do seu destino, viver e conviver com outros faz parte de nossa história, de nossa trajetória. Temos compromissos com todos, compromisso de nos fazermos melhores e ajudá-los a crescer, mas somente poderemos fazer mudanças em nós mesmos, pois aos outros, ainda que nossas palavras e atos lhes cheguem, sempre haverá a necessidade da presença do desejo de cada um em crescer e fazer-se pessoa! Não mudamos a maneira de ser e pensar de ninguém, cada um é responsável pela sua caminhada. Ainda que sigamos lado a lado, a caminhada de cada um será única, as pegadas de cada um neste caminho terão uma marca diferente, um fazer diferente, um desejo distinto do nosso. Vale o apoio, vale o afeto, vale a contenção, tudo isto ajuda a gente a fazer pausas e a pensar, mas o passo decisivo é de cada um.

Agora é hora de agir e seguir com a vida, fazendo e refazendo ponto a ponto para que ao final esta teia esteja bem tecida.

 

27/07/2009

 

Isiara

22/09/2009

Reviver

Arquivado em: 1 — isicaruso @ 19:00

Nasci no verão. Calor, muito sol, praia, chopinho. Creio que por não haver tido uma berço ao meu dispor quando cheguei ao mundo, me pareceu muito quente aquela caminha improvisada numa gaveta de cômoda do hospital. ou quem sabe me quiseram engavetar como processo que não devesse ser lido…

Cresci adorando a primavera, este tempo de mudança de “intermezzo” entre o frio e o calor. Amo as flores, a festa dos pássaros quando amanhece, a revoada das andorinhas da janela da nossa casa. A avenida se estende aos meus pés como um tapete, as copas das árvores se tingem de cores, os canteiros festejam com as flores mais bonitas, aliás, o mundo se torna mais alegre nesta estação. As crianças, os jovens e até mesmo nós adultos nos energizamos, revivemos. O despertar da natureza enche de vida todos os lugares.

Aqui na Argentina é costume festejar-se a primavera, coincide sua chegada com o dia dos estudantes, então os parques se tornam palcos das mais distintas homenagens, a euforia toma conta de todos. Há música, artes caminhadas, beijos apaixonados, início de namoros, talvez fim de alguns, mas tudo embalado pela doçura das flores, do gorjeio dos pássaros, pelo zumbir das abelhas e algazarra da gente que se alegra.

Quem dera o mundo pudesse tomar um punhado de flores coloridas, aspirasse uma mescla dos perfumes que se espalham no ar, escutasse os ruídos da natureza que renasce, sentisse a suavidade da relva, das pétalas das flores, a maciez das peles e pêlos e proclamasse que a partir deste dia haveria paz no mundo; harmonia entre as pessoas, se diria não às armas; não às disscriminações; não às diferenças. Haveria um mundo para todos, um mundo de todos.

…mas eu saí daquela gaveta e me inseri no mundo. Neste mundo que há e o que desejo e sei  que sou alguém para ser lido.

16/05/2009

O Eco do oco

Arquivado em: Pensando sobre... — isicaruso @ 23:15

Ando meio sem rima nos últimos tempos, não sei se perdi a poesia ou ela se perdeu de mim. Talvez as coisas andaram caminhando em agonia, quiçá, não sei. Sei lá…da perda…da orfandade…
Mas agora que só resta a nostalgia, não poderia assim deixar a pena cair da mão, por “pena”de mim ou por …sei lá porque…não sei..
Ando remexendo no tacho das memórias frias, quem sabe seja isto o que me está trançando as fantasias, as lembranças, meu ser criança de outros tempos, outras auroras, outros carnavais que não sambei…
As palavras se perdem em oco, não em vazio ou em nada, mas num oco cheio de eco, cheio de sons e cheiros: de Maria Fumaça na praia…pipoca, do doce da Sol de Ouro, domingo de tarde, de matine de cinema no Sete ou no Carlos Gomes, daquela ovelhinha de Páscoa…, cândi da Tamandaré…o amendoim da maquininha de Trem na frente do cinema…do grito na calçada…”tem pão quente”..”mamãe dá licença?…quantos passos”…
Quantas voltas deu o mundo, em que volta a gente se perde da infância que se vai e não a vemos partir?
A despedimos um dia (a infância) e nos pusemos a buscar novos caminhos, nosso horizonte e nos fomos distanciando da simplicidade do ser criança e acabamos, como todos nos perdendo no adulto que somos hoje. Aí por vezes paramos olhamos para trás e perguntamos: “Mamãe quantos passos?” e ninguém mais responde…agora nós é que temos que responder…”um miudinho” (para que o guri ou a guria não corram tanto)…
E aí saio eu a buscar as rimas…

Isiara Mieres Caruso
07/02/2007

29/03/2009

Outono em Buenos Aires

Arquivado em: Pensando sobre... — isicaruso @ 14:11

                   Os dias nestes últimos anos estão passando em uma velocidade que nos assusta. Mal despertamos já nos vemos voltando para mais uma noite de sono. Parece que foi ontem que chegaram as festas de fim de ano, entretanto já passou o carnaval e a Páscoa… ufa!
  
                    Olho pela janela e vejo nas copas das árvores, na avenida 9 de julho os signos do outono. Estão pintadas pelo rosa das flores que ainda teimam em colorir minha paisagem. Já começam a surgir os agasalhos para frio, pois aqui temos dias que amanhecem com cinco ou seis graus…brr… Sinto dó daqueles que devem sair para trabalho ou para a escola. “Tadinhos!” Puxo as cobertas quentinhas, me enrosco e sigo meu soninho até um pouco mais tarde, (Já passei por isto) penso. Certamente para que a culpa não me consuma.

                   Os parques e avenidas já estão matizadas pelas folhas que caem amarelecidas, em uma mescla com o verde dos gramados e o colorido de algumas flores. Já não se veem muitas pessoas caminhando, como é costume no verão, nem os que se douram sob o sol em todos os gramados disponíveis. Ao entardecer, os últimos raios de sol tingem o céu de um amarelo dourado e algo de rosado em tons pastéis. Alguns corajosos tomam um café ao ar livre buscando algo de sol, que ajuda a espantar o friozinho tão desejado por todos quando o calor de abril teima em não ir embora.

                   Aqui na Argentina os cafés são pontos de encontro e por vezes de estudo e trabalho. Costumo ver pessoas que passam algum tempo com seus amigos “charlando”, lendo um jornal ou simplesmente tomando um café enquanto ajeitam a agenda, contatam amigos ou clientes. Já consigo por vezes fazer o mesmo, há que apreender os costumes locais, e um café com “medias lunas” é sempre bem vindo.

                    É o mundo da moda, da música e do futebol, embora nós brasileiros tenhamos uma rixa eterna com os argentinos, aqui também é o país do futebol. Aos domingos ou qualquer outro dia da semana que ocorra um jogo em que as estrelas entrem em campo lá estão os “inchas” para dar o maior apoio e torcer como nos melhores estádios brasileiros. À noite os programas de televisão passam todos os jogos e resultados Os festejos pelas ruas fazem lembrar os que vivi de Inter e Grêmio em Porto Alegre.

                   Bem, como dizia, é outono em Buenos Aires e os dias vão se tornando menores, o frio aumenta e o ambiente para a boemia está formado, lindo para ir-se assistir um show de tangos e milongas ou até mesmo atrever-se a dançar, ou pelo menos tentar.

09/01/2009

Memória como estrutura

Arquivado em: Pensando sobre... — isicaruso @ 20:07
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Construir-se a partir de um passado. Coloco-me como aranha que tece a teia que nos surpreende em meio ao emaranhado do jardim, cintilando gotas de orvalho ao sol. Penso esta teia como um caminho de vida, vivido e tecido momento a momento, por vezes, cerzido e ligado a outras teias no desenrolar dos acontecimentos. Parto meu recorrido do início de tudo, ainda útero, ainda aconchego e a levo para fora daí, seio, abraço e… por aí se vai tecendo em fatos e atos, estabelecendo a rede da vida que vivemos nossa memória, desde onde seguem tendo uma existência em suspenso, e por vezes ressurgem tomando novas formas, atravancando o caminho, ou até mesmo impedindo o passo, em forma de medos escondidos. Estes atos e fatos estão tecidos, atados, dando a cada dia novas formas a nossa biografia, que nos retrata, nos mostra ou nos esconde. São as estruturas que suportam o novo, caminho do novo dia, com a certeza de que nos pomos em risco, mas que temos uma base ancestral, gravada, que nos mantém únicos, embora sempre em movimento e criação e nos oferece a capacidade de nos modificarmos ao mesmo tempo em que mantemos a nossa essência, que nos garante que este tempo passado estará aí tecido, e nos capacita o direito à autoria ímpar e estruturalmente nossa.

 

Nossa memória é incrivelmente minuciosa, ela se estrutura nas rupturas, nas marcas que aí se vão gravando através das cicatrizes que ficam atrás das mágoas, depois das agressões, das carícias dos fantasmas que assombram o olhar, o escrever, o falar, a escuta, a atenção e o controle do corpo, somatizamos.

 

O prazer do brincar e do jogar desaparece na vida do adulto, perdido na seriedade do dia a dia, no mundo do trabalho. O corpo do adulto resiste a ser e fazer-se feliz.

 

A criança é feliz de corpo inteiro, sabe demonstrar que ama, que pode ir além no jogo de suas fantasias infantís. Entretanto mal começa a crescer e ao passar pela adolescência, que a leva à vida adulta, parece que ocorre um fenômeno inverso ao da lagarta.

 

 A lagarta  se enche de folhas (come toda uma árvore), tece sua crisálida para poder transformar-se e voar em borboleta. Nós humanos fazemos  o caminho inverso. Nascemos borboletas, tecemos nossa crisálida, “enrijecemos o corpo” metemo-nos aí dentro com limites, travas e freios e nos tornamos gordas e pesadas lagartas incapazes de alçar vôos.

 

Muitos se tornam rígidos, engessados pelos medos e pudores, resistindo, afastando-se dos jogos do riso, dos jogos do corpo e do amor.  

O abraço se torna superficial, o olhar temeroso ao olhar do outro.

 

Fecham-se, isolam-se, encasulam-se. Mostram-se memória. Morrem.

 

Isiara Mieres Caruso   29/10/2006

 

04/01/2009

…ser feliz para sempre…

Arquivado em: Pensando sobre... — isicaruso @ 00:18
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Quando somos crianças sonhamos em ter nossa própria família, isto independente de sermos homens ou mulheres. Creio que as mulheres , principalmente as da minha geração e anteriores tinham por meta o casamento, o vestido de noiva, a igreja decorada etc. sonhos que eram modelados pelas famílias que esperavam que as , meninas, chegassem virgens ao casamento, outra tradição que remonta a tempos em que se preservava o patrimônio de famílias pela linhagem genética. Como toda menina da minha época sonhava com o meu casamento embora já soubesse que não haveria igreja pela religião que minha família professava que não admitiria esta cerimônia, embora me fosse encantadora também.

Quando se encontra esta primeira pessoa que se encaixa nos nossos ideais de família e começamos a formar o tão sonhado núcleo familiar, temos a certeza de que somos pessoas que se harmonizam em ideais, em sonhos, em metas a serem atingidas, em gostos, na sexualidade e todo o entorno que forma esta união. Nos complementamos. Chegam os filhos, se armam projetos comuns.

O tempo passa, os projetos deixam de ser dos dois, os horizontes se dividem, os objetivos mudam. Nós mudamos. Cada um evolui de uma maneira, cresce ou não. Muda. Mudamos. Nos dividimos. O que ao princípio era o horizonte comum, muda de paisagens, os passo ao princípio com uma mesma cadência mudam de ritmo e muitas vezes de sentido. Um começa a interferir na formação do outro, a admitir ou não a sua maneira de ser como correta. Já não se escuta um ao outro, apenas se fala do que se sente. O sentir do outro, já não importa tanto.

O que será que aconteceu naquele roteiro primeiro? Tudo. As pessoas tem sonhos diferentes, embora o fim seja o mesmo. Fazer-se feliz. Mas se não administrarem o caminho desta felicidade  passo a passo o resultado é este, bifurcação de caminhos. Pois um não pode adivinhar o sonho do outro se não se conta. Um não pode adivinhar o desejo do outro se não o compartilha. Um não pode entender o pensar do outro se não se conversa sobre este pensar. Não há bola de cristal que defina os rumos de um casal se a palavra não é o motor do carro que os conduz. Os sonhos, os projetos se perdem no silencio das palavras mudas.

Eu sou feliz para sempre buscando meus sonhos e meus projetos, buscando pessoas que partilhem deles e que principalmente, com quem se possa falar e conversar sobre eles, traçando rumos comuns.

Isiara Mieres Caruso
03/01/2009.

01/12/2008

Músicos de Bremen

Arquivado em: Pensando sobre... — isicaruso @ 21:34
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Em uma contação de histórias levei para a sala o conto dos irmãos Grimm:  Os Músicos de Bremen, quiçá uma sessão retorno à infância ou aos meus tempos de professora de escola infantil, quando ainda se contavam este tipo de histórias onde os bichos serviam para fazer uma análise sobre os sentimentos dos humanos e a eterna busca da felicidade. Parece que faço uma releitura de minha caminhada, que tem algo que ver com este ir-se para encontrar-se.
Como leio esta história:
vejo, no destino dos quatro animais do conto, a forma   “ destratável “ como a sociedade age com seus idosos que já cumpriram um rol na sociedade  que já contribuíram com ela e no momento em que mais se parecem a um empecilho para que sigam adiante (os outros mais jovens) decidem descartar-se daqueles que de alguma forma já não “ servem” mais …
,estes mais velhos no momento em que sentem este obsoletismo fazem uma  volta a seus passados, ponderam o quanto útil foram a estes novos habitantes de seu mundo e sentem-se injustiçados. A tristeza será uma conseqüência normal a este estado, até lembrando que para Benedetti “ as tristezas são pequenas mortezinhas”  eles decidem um por vez não deixar-se morrer e seguem em busca de um sonho de reconhecimento,  de vida nova. Nesta busca idealizam-se como músicos que irão viver em um mundo novo, sentindo-se renovados, renascidos, longe daqueles que desejam descartar-se deles.
 Neste momento em que saem em busca de novos caminhos, descobrem-se diferentes daquela imagem que tinham quando sob o jugo de seus donos e que podem relacionar-se com outras pessoas
( na história, animais) diferentes deles, estabelecem  novos vínculos e (re)conhecem-se.
Sentem-se capazes de lutar por um espaço para viver, mesmo que este espaço esteja ainda na metade de seus caminhos para o sonho inicial, mas que também faz parte do seus sonhos de uma nova vida.
Isiara M. Caruso
25/11/2008

12/09/2008

Vomitar palavras.

Arquivado em: Pensando sobre... — isicaruso @ 19:12
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Escrever sobre o que nos passou durante a vida , quando buscamos dela o sentido é como um  vomitar das coisas vividas.  Aquele bolo vai subindo esôfago acima, a saliva engrossa e hugg… salta tudo com um sabor amargo das coisas que não foram bem digeridas, nem lembramos bem o que nos foi posto goela abaixo, mas tudo está lá efervecente e quente como as lavas de um vulcão que nos impede por vezes de decidir qual será o próximo passo. Como começar desde o princípio se as coisas acontecem todos os dias e por vezes se repetem? Não recordo o início de tudo, as lembraças saltitam de tempos em tempos.

 

Quando estas coisas conseguem sair e pegar-se no papel como letras de fogo são como uma bênção , dão um refesco na alma e nos deixam mais leves.

 

…a memória nos presta um trabalho importante, vai acomodando as coisas nos lugares certos, em compartimentos definidos  como; para esquecer; para não lembrar; para estar sempre a vista. tudo com um botãozinho, um link que o faz emergir em parte ou totalmente, às vezes apenas para tremer a perna num momento especial que perdemos sem lembrar por que raios tivemos que deixar passar.

 

…um dia lindo de sol, uma vontade imensa de sair conquistar o mundo. Mas na hora de abrir a porta, surge aquele pensamento idiota que diz para não sair pois pode ser assaltado. Talvez chova.( o dia está lindo) quem sabe alguém vem te ver e saíste (E nunca vem ninguém). Essas coisas que nos arma o famoso bolo no estômago, que faz salivar quando pensamos em tomar uma atitude. E lá ficamos outra vez travados na metade do caminho que nos separa talvez daquele que poderia ter sido o mais lindo dia da nossa vida! ou quem sabe o pior? Como saber se não o vivemos?

 

E aquelas coisas que fizemos e depois ficam dando volta e volta, sem digerir, como uma alfinetada que nos acorda no meio da noite e nos faz transpirar. Ufa! Por quê? Se já está feito. É passado. é aí que tem que ficar, como pintura pendurada num canto da sala, adorno apenas.

 

Vomitá-las é fácil, se não tem o hábito, mete o dedo na garganta que vem tudo. Se são lembranças apagadas e só puxar a ponta do cordãozinho que ata o pacote e pronto esparrama as fotos todas. E fotografia não mente, está lá tudo registradinho…parece fácil! mas não é. dor é dor, física ou psi..(algo) dói do mesmo jeito e as segundas não tem analgésico que cure. Ficam lá doendo como dedo do pe´que chutou pedra do caminho, latejante…

 

 

Isiara Mieres Caruso

 

 

Nem tão vazio…

Arquivado em: Crônicas — isicaruso @ 18:54
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O nada está cheio de tudo que pensamos e sonhamos. Quando alguém que voa em pensamentos é interpelado por outra pessoa, e esta lhe pregunta sobre o que está pensando, a primeira resposta é – nada. Isto não quer dizer que a pessoa pensava em vazio, mas que sua mente percorria muitos caminhos e lembranças, então o nada vem carregado de todas as memórias que deixavam repletos  seu pensamento.

 

O nada está repleto de tudo e de todos. De tudo que já vivemos, de tudo que sonhamos viver e do agora, de todos que já dividiram conosco a caminhada ou que simplesmente em um dado momento, bom ou ruím, cruzou nossos passos.

 

O nada é uma imensidão de tudo, de todos, de algo ou de alguém, não é esquecimento, ele está carregado de muitas memórias cheias de caminhos, rostos, momentos, sombras, de medos e desejos vividos ou não.

 

Somos um profundo e inenteligível poço de águas aparentemente calmas e túrbias que jaz  adormecido até que alguém, ou nós mesmos, cisma de atirar uma pedrinha para ver o que ocorre, ou se ainda há água para matar a sede. Aí se formam aqueles anéis circuncêntricos que neste caso vão narrando nossa história e despertando cada um dos duendes adormecidos, arrinconados em cantos de nossa memória e, que ali estavam catalépticos a espera do beijo mágico do príncipe ou da princesa (depende do gênero) para despertar e causar, na maioria das vezes, um desastre em nossa vida, que transcorria tão mansa como um dia sem nuvens. Um poço que parecia vazio e estava repleto de tudo e de todos, que de aí vão saindo num espiral furioso como um redemoinho destes que costumam trazer em seu bojo o moleque rizonho das fábulas brasileiras, o sací., num revoar de folhas secas que se havia amontoado para queimar depois no fogo das saudades dormidas.

 

Assim é o nada, é o vazio. Somos nós disfarçados de natureza morta retratados na tela do tempo.

 

Isiara Mieres Caruso

 

Dez 2004

 

 

01/09/2008

Começo, meio e fim

Arquivado em: Pensando sobre... — isicaruso @ 21:38

Nestes últimos anos, o cara aquele que dizem que está lá em cima jogando com os cordões da vida da gente, se é que há um, exagerou na dose comigo e com minha família. Sabemos que vida tem começo meio e fim embora ninguém saiba exatamente o porquê de tudo isto, mas o certo é que embora se acredite em outras vidas, passadas e futuras não estamos preparados para a última parte desta história toda, a morte.

        

Adoramos quando nascem as crianças, nossas e de todas as famílias, lutamos para vê-las crescendo bem e formarem suas próprias famílias. Divertimo-nos que o tempo passe e nossos filhos nos passem em altura, em realizações e tudo o mais que sonhamos para eles.

Afastamo-nos de nossos pais pelas próprias circunstâncias da vida, eles se separaram dos deles, nossos filhos de nós e assim sucessivamente. Naturalmente.

A vida nos envolve e os envolve e quando vemos já estamos chegando naquela idade que louvamos despertar com uma dorzinha, pois nos mostra que ainda estamos vivos… e aí nos damos conta de que a hora de partir chega pra todos e nós queríamos apenas vida. Acostumados a ver outras pessoas envelhecerem e chegarem ao fim da dita cuja – vida – nos tocou a nós vermos os nossos velhos envelhecerem e partirem. Que duro. Não sabemos o que fazer com isto e nos questionamos afinal qual o sentido de tudo? Qual o sentido da vida? E da morte?

 E afinal há que saber se preparar para morte. Mas como? se nada sabemos dela a não ser o que algumas pessoas contam em livros e revistas, dizendo o pensam sobre o assunto. Mas afinal que é? O fim? Um novo começo? Uma continuação de algo anterior? Uma vida? Muitas vidas?  Fomos criados ouvindo falar de reencarnação, vidas passadas, karma, leio sobre isto nas filosofias orientais. Faz mais sentido do que nada. Do que morrer assim em seco e desaparecer para sempre, não teria sentido tanta coisa aprendida e tanta vivida.

Isiara Mieres Caruso

    
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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