Hoje foi um daqueles dias em que a gente desperta pensando na vida, nos porquês, nos “pra quês”, e a mente vai indo e voltando a cada momento que a gente já viveu.
Muitas pessoas nascem e são criadas com aquela noção de que a vida é para pagar os pecados, resgatar as coisas do passado, e se atam a estas convicções sem dar espaço ao novo, às coisas que chegam a cada segundo em suas vidas, representando um rol esperado para a sociedade onde vivem e vivem para mostrar como vivem.
Para mim, que fui criada desta maneira, as coisas da vida eram pesadas, tinham uma aparência de coisa sempre inacabadas, débitos pendentes, contas há pagar todo dia, pouco a pouco, sem importar o que acrescentasse a tudo isto.
As coisas que fazia por gosto ou prazer eram taxadas de novos pecados, novas culpas e aí a interrogação crescia… e afinal… porque, pra quê existir como ser humano que pensa e reflete sobre seus passos se o sentido é apenas caminhar sobre eles dia após dia?
Desta reflexão toda começo a fazer uma figura da vida, para dar forma a este viver por algo e comparo a vida à nossa própria história. Como?
Voltei à infância e me vi pequena vestindo pela primeira vez o uniforme da escola e ansiosa indo para ela aprender e conhecer meus amiguinhos! Que beleza! Aí começa o bom da minha história, aprender coisas novas, conhecer pessoas novas, construir coisas novas, crescer… promover-me ano a ano para chegar a uma formação, uma profissão. Transformação! Crescimento!
Não se pagam culpas, não a que ficar dia a dia caminhando sobre os erros, há que aprender com eles, crescer!
Aí neste pedaço de pensamento volto para a vida e a penso como esta caminhada, comparo-a com esta escola e volto a ter a certeza do que já havia construído antes como pensamento sobre a vida: ela, a vida, é para ser vivida e para construir-se como pessoa cada vez melhor, que aprende dos erros cometidos, que os soluciona e segue adiante, sem a necessidade de ficar voltando e refazendo tudo que já fez pelo simples fato de que outras pessoas poderão dizer ou pensar sobre o nosso atuar. Somos autores de nossos passos, cada um é dono do seu destino, viver e conviver com outros faz parte de nossa história, de nossa trajetória. Temos compromissos com todos, compromisso de nos fazermos melhores e ajudá-los a crescer, mas somente poderemos fazer mudanças em nós mesmos, pois aos outros, ainda que nossas palavras e atos lhes cheguem, sempre haverá a necessidade da presença do desejo de cada um em crescer e fazer-se pessoa! Não mudamos a maneira de ser e pensar de ninguém, cada um é responsável pela sua caminhada. Ainda que sigamos lado a lado, a caminhada de cada um será única, as pegadas de cada um neste caminho terão uma marca diferente, um fazer diferente, um desejo distinto do nosso. Vale o apoio, vale o afeto, vale a contenção, tudo isto ajuda a gente a fazer pausas e a pensar, mas o passo decisivo é de cada um.
Agora é hora de agir e seguir com a vida, fazendo e refazendo ponto a ponto para que ao final esta teia esteja bem tecida.
27/07/2009
Isiara